See you @ Cíes

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A meteorologia apenas dava previsão de chuva para o fim da tarde de domingo. Ainda assim fizemos a viagem debaixo de um manto de nevoeiro que só se dissipou quando chegamos à Galiza.

Como habitual fizemos a travessia de barco a partir de Baiona. Apesar do vento que se fazia sentir o sol começava lentamente a elevar-se e a dar sinal que a previsão se estava a cumprir.

Montadas as tendas fomos a praia que já tomamos por nossa. Ao fim de umas horas já estávamos suficientemente vermelhos para mergulharmos nas águas heladas que nos cercavam. O André, uma vez mais, aproveitou esta escapadela para tentar bater o recorde pessoal de permanência na água.

Ao final da tarde, fartos de tanta preguiça, resolvemos dar uma volta pela ilha. Este pequeno passeio revelou-se uma das maiores caminhadas feitas pela Ana Paula.

Depois de jantar fomos apoderados por forças ocultas que nos faziam deslizar as pestanas em direcção ao chão. Tudo indica que o primeiro infectado foi o Fofoni já que ainda da parte da tarde apresentou sintomas idênticos.

O dia amanheceu sob o ruído infernal das gaviotas. Arrumadas as tralhas fomos novamente para a praia pois havia algumas partes do corpo que ainda não estavam suficientemente bem passadas.

PS: Sónia, podes estar descansada que não contamos a ninguém aquela confidência que nos fizeste sobre o Miguelito. ; )

Passeios hermínios

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Chegamos ao Parque de Campismo do Vale de Rossim já passava das cinco da tarde de sábado. Montamos a tenda e fomos dar uma pequena volta de bicicleta até às Penhas Douradas, mesmo ali ao lado. O vento soprava agora mais forte e a Vanessa começava já a fazer contas à quantidade de roupa que tinha trazido para dormir. Porque é que não trouxeste o outro saco cama quentinho? O outro saco cama quentinho é o Nanga Parbat da Diamir!

Regressamos ao parque e enquanto preparo a mochila para o treino de domingo encontro uma cara que me parece familiar. Era o ultra campeão Armando Teixeira! Em estágio pela Serra da Estrela em preparação para a UTMB. No dia seguinte ia fazer Manteigas – Torre por estrada. Muita subida para mim…

O meu plano para o treino do dia seguinte era fazer Vale do Rossim -Torre – Vale do Rossim pelo cimo da Serra. Para isso teria de acordar às sete e contar com umas quatro horas de corrida. Não é todos os dias que se pode fazer um treino acima dos 1500 m.

Resolvemos ir jantar ao Museu do Pão, em Seia. Digamos que necessitaria de fazer umas duas ultras só para queimar as calorias ingeridas naquele jantar…

No regresso ao Parque de Campismo o nevoeiro já se tinha apoderado da estrada. Visibilidade de uns três metros, se tanto. Já na tenda preparo tudo para de manhã arrancar cedo.

Acordei várias vezes durante a noite. Por um lado, ainda andava a ruminar o jantar, por outro, ouvia a chuva a bater na tenda…

Acordo com o relógio a despertar. Espreito pela porta da tenda. Não consigo ver nada… Com estas condições não vale a pena sequer pensar em sair. Iria estar mais tempo parado à procura do caminho do que a correr. Volto a enfiar-me no saco cama.

Acordo novamente às oito e meia. O tempo parece querer abrir. Como um pedaço de pão trazido do Museu do Pão e preparo as tralhas. Combino com a Vanessa a hora a que devo regressar. Siga!

Começo a correr seguindo o caminho que vai em direcção à Torre. Ainda não tinha corrido 1 km quando começo a ouvir ladrar. Apercebo-me que são vários cães a virem na minha direcção e, pelo vozeirão, não são caniches. 1, 2, 3… 5 serras da estrela! Paro de correr. Deixo um dos cães farejar-me a mão. Amigo… Passados cem metros retomo o andamento.

Entro numa zona em que a vegetação cobriu parte do trilho. As gotas de água fria da chuvada da noite escorrem agora pelas pernas abaixo. Não foi preciso atravessar nenhum curso de água para ficar completamente encharcado. Sigo agora atrás das mariolas em direcção à Torre. Começo a avistar ao longe o perfil de duas esferas que me indicam a localização da Torre. Pelas minhas contas sei que não vou ter tempo de ir até lá e regressar a horas. Se tivesse arrancado às sete…

Decido seguir até ao marco geodésico e fazer o regresso a partir desse ponto. Não sei se foi da altitude ou do jantar do dia anterior mas a verdade é que nas subidas sentia-me a ofegar um pouco mais do que o costume…

Informações do percurso

De regresso ao Parque encontro a Vanessa em plena fotossíntese. Foi só o tempo de tomar banho e seguimos rumo a Linhares da Beira. Já lá não ia a algum tempo mas tinha na memória a lembrança de uma aldeia bem preservada situada a meio da encosta e com uma vista fantástica.

O melhor ainda estava para vir! Como ainda não tínhamos almoçado resolvemos ir comer qualquer coisa à Toca da Loba. Eu comi uma sopa fria de tomate aromatizada com framboesa e cubos de pão seguida de uma tiborna de camarão com salada de rúcula.  *****

Como se não bastasse acabei com um pudim de azeite, mel e laranja. Sublime!!!

O restaurante situa-se no largo em frente à igreja de Linhares e é um pretexto óptimo para uma visita à serra. Quanto mais não seja para descobrirem como se vai para as casas de banho do restaurante…

Scottish Arga

Depois do vídeo inspirador da apresentação do Grande Trail Serra d´Arga não resistimos e quisemos sentir com as nossas próprias pernas esses trilhos minhotos.

No dia anterior tinha estado até à uma e meia da manhã a tentar exportar o percurso da prova para o meu relógio que, uma vez mais, decidiu não receber nem sequer um só waypoint.

Conforme as sugestões dadas pelo Carlos Sá e pelo Jorge Azevedo deixamos o carro em S. Lourenço e começamos a subir, seguindo as marcações de um PR. A visibilidade era muita reduzida. As visões das marcações do PR idem. Depois de atestarmos o vigor da vegetação espinhosa da Serra de Arga acabamos por seguir por um outro percurso que seguia em direcção a Dem. Apanhamos as marcações do caminho de Santiago e, corridos 10 km, eram horas de track back.

 

Sem dúvida que a Serra de Arga aparenta ser um magnífico campo de treinos para prática de trail running. Água, rocha, vegetação, desníveis,… what else?

A meteorologia podia não ser a melhor mas serviu de ensaio para aquelas que deverão ser as condições em que se irá realizar o Grande Trail da Serra de Arga.

Pelo test drive a coisa promete!

UTSF… depois de passadas as dores de pernas

UTSF 2011 – 03 de Junho

48 105 João Graça Núcleo de Montanha de Espinho M-SEN 12:51:03

É sempre estranho quando sentimos aquele vazio após a conclusão de algo para o qual andamos durante algum tempo a preparar-nos. Por outro lado, o passar do tempo permite algum distanciamento que faz com que os nossos pensamentos sejam mais claros e sem o turbilhão de sensações que se vivem nos momentos imediatamente após a conclusão uma experiência.

O PERCURSO

Inesquecível! Superou as minhas melhores expectativas. Para mim, que me considero um relativo bom conhecedor da Serra da Freita, permitiu-me ligar mentalmente locais que anteriormente conhecia apenas de uma forma isolada. A extensão do percurso, os desníveis a vencer, a aridez dos caminhos de xisto, as aldeias perdidas no meio da serra… são tudo imagens que ficaram gravadas na memória.

A ORGANIZAÇÃO DA PROVA

Eficaz. Penso que tudo aquilo que porventura possa ser melhorado nas próximas edições serão apenas pormenores. A simpatia com que somos acolhidos pelo pessoal dos abastecimentos ajuda-nos mais que muitas das calorias ingeridas. A canja do km 60 tornou a subida da Lomba num passeio depois do almoço.

Fico com a impressão que o desenho de percursos tem muito de semelhante com a abertura de vias de escalada em rocha. O equilíbrio entre passagens mais técnicas e zonas de maior descompressão, a beleza dos movimentos originados pela forma como o corpo se adapta ao meio em que progride, a sensação de descoberta, as variações de ritmos… O Moutinho é, sem dúvida, um grande equipador de vias de trail.

AS PESSOAS

O ambiente é fantástico! Todos os participantes estão ali apenas com uma preocupação: tentar dar o seu melhor. A superação pessoal é o grande motor da prova. Ao contrário daquilo que sinto nas provas de corrida em estrada, em que cada atleta está a competir contra todos os outros para subir um pouco na tabela classificativa, nas provas de trail running sinto que a presença dos outros atletas é mais uma ajuda para alcançar o objectivo pessoal. Com alguns quilómetros de prova percorridos e com a generalidade dos atletas cansados tanto física como mentalmente vivem-se momentos de camaradagem e entreajuda. Num  dado momento posso ser eu que esteja a motivar um atleta mais em baixo para daí a alguns quilómetros os papéis inverterem-se.

A EXPERIÊNCIA

Se há cinco anos atrás me dissessem que iria fazer a UTSF eu diria que era impossível. “Eu nem gosto de correr!” seria provavelmente a minha resposta. A verdade é que sem a motivação transmitida pelo Raposo, pelo Tamagnini e mais recentemente pelo Fofoni eu nunca teria atingido este objectivo. Quem diria que a corrida é um desporto de equipa!

“Cada pessoa deve encontrar o seu próprio Evereste” – aconselha-nos o João Garcia.

Para nos superarmos não precisamos de viajar até aos Himalaias. A Serra da Freita é bem mais perto! Quer seja numa corrida de montanha, numa via de escalada ou num bloco, ou até mesmo numa tese de Doutoramento ou no desenrolar da actividade profissional, devemos procurar ir sempre além da nossa “zona de conforto“.

As corridas, para mim, representam sair da minha “zona de conforto“, embora sem o compromisso que caracterizam outras actividades como o alpinismo, por exemplo, permite-me uma prática mais regular e assegura igualmente a descoberta de novos territórios, tanto físicos como mentais.

Fotos: Abel Benito, Fofoni e Raposo

UTSF 2011

Eram 02h20 quando o despertador tocou. É hoje o dia! Fiquei satisfeito ao aperceber-me que havia dormido umas quatro horas seguidas. Já tinha preparado a mochila no dia anterior pelo que foi só o tempo de me vestir e tomar o pequeno-almoço. A primeira dose da super aletria deveria fornecer-me os hidratos de carbono suficientes para não ter me preocupar até ao quilómetro 20.

O Raposo apanhou-me em casa e de seguida apanhamos o Fofoni. Siga para a Freita que a festa vai começar!

Chegamos ao Merujal por volta das 03h45. Sentia-se o frenesim no ar! Toda a gente sabia aquilo que teria pela frente durante as mais de dez horas que se seguiam e o ambiente era de festa.

Tinha-me mentalizado que o meu primeiro objectivo seria o de acabar a prova, objectivo este que penso apenas não estaria ao meu alcance se me aleijasse ou se a temperatura subisse para lá dos 25º. Se tudo corresse bem deveria encaixar o meu tempo entre as 12 e as 14 horas de prova.

Eram cerca das 04h30 quando se deu a partida.

Logo nos primeiros quilómetros veio o primeiro momento de puro divertimento. Olhar para trás e ver um alinhamento de pontos de luz no meio da escuridão a movimentarem-se como uma serpente saída de um vídeo jogo dos anos 80. Esta serpente estava a perseguir-me! Era altura de começar a descolar…

Esta parte inicial do percurso havia-a realizado à cerca de três semanas com o Tó Zé pelo que me sentia a “jogar em casa”. A claridade começava a aparecer e verifico que o céu está nublado. Agradeço a S. Pedro ter ouvido as minhas preces enquanto desligo o frontal.

Antes de entrar na levada reparo que o percurso da prova não é aquele que eu estava convencido que fosse quando havia realizado o treino. Eu pensava que neste tramo o percurso da prova seria pelo meio do rio. Moutinho style. Há três semanas atrás o trilho da levada parecia a Amazónia pelo que tivemos de desistir dessa opção.

Passado Tebilhão ia entrar em terreno desconhecido. No treino que fizemos passamos de Tebilhão para o Candal para fazermos uma volta mais curta.

A descida pelo trilho do carteiro foi um hino à classe ortopedista. Non stop! Sabia que não podia entusiasmar-me pois a procissão, ou melhor, a via sacra ainda não tinha saído do adro.

Daí até Rio de Frades foi só deixar rolar. Pensar que ainda há dias atrás tinha estado lá em baixo aos saltos para a água com 36º de temperatura…

Ao chegar ao rio encontro os meus pacers estáticos. De máquina fotográfica em punho parecem verdadeiros predadores de imagens. Gostava de ficar ali com eles a descrever os caminhos já percorridos mas ainda vamos no primeiro terço da prova e importa não parar.

Entramos, literalmente, no Paivô. Sinto-me confortável nestes percursos em leitos de rio pois sinto sempre que estou a correr super leve. Estou mais habituado a andar por estes cenários com um fato de 5mm e uma mochila carregada de cordas e outros equipamentos.

No final do rio surgiu o primeiro abastecimento. Já aprendi, a custo, o quão importante é uma pessoa ir comendo e bebendo ao longo das provas. Nesta prova, de 5 em 5 km estava sempre a enfiar qualquer coisa pelas goelas abaixo para não ficar mal.

Uma vez mais encontro-me com o Fofoni e o Raposo. Tudo bem? Siga!

Sigo agora em direcção a Regoufe e daí sigo para Drave. Recordo-me que a última vez que fiz este percurso foi com o Marco Stanislau num fim de semana de calor brutal. Uma vez mais agradeço a S. Pedro.

A subida a seguir a Drave foi mental. Já não bastava o desnível do percurso acrescia agora a dureza da paisagem. Os incêndios do ano passado deixaram uma encosta martirizada.

Mártir também já eu me começava a sentir. E a minha cruz tinha três pás a girar lá bem no alto. Vento e nevoeiro. Comecei a sentir frio. Optei por não vestir o corta vento. Sempre era mais um motivo para me pôr a mexer.

As fitas sinalizadoras indicavam a direcção de uma última torre eólica. Onde anda o percurso? Um single track apareceu à direita e daí até Póvoa das Leiras foi sempre a baixar.

Novo abastecimento. A fome aumentou. 40 km feitos. Faltam 30. Sigo para o abastecimento dos 50 km em Manhouce. A partir deste momento apenas penso em chegar ao abastecimento seguinte.

No meio de um caminho encontro o Fofoni disfarçado de paparazzi. Um pouco adiante está o Raposo. Combino um próximo encontro na Lomba.

Entro numa aldeia. Reconheço as ruas.Estou no Candal! Soube que a coisa estava feita. Estava a correr novamente em terreno conhecido. Traço mentalmente o percurso que falta fazer para gerir o esforço. Sei que tenho a subida da Lomba e que chegando ao planalto da Freita é mais meia hora menos meia hora de prova.

Chego a Manhouce. Não resisto. Café! Preciso de um café! Vou ao tasco e injecto pela garganta abaixo a dose de cafeína que necessitava. Logo a seguir encontro o abastecimento.Dizem-me que na Lomba têm sopa quente à nossa espera. Melhor objectivo que este? Siga para a Lomba!

O percurso da prova para chegar a Lomba é mais cómodo do que aquele que havia feito anteriormente. Sinto que as coisas vão sendo mais pacíficas do que aquilo que eu pensava.

Aterro finalmente na Lomba. Enfardo uma canja, uma bifana, dois copos de coca-cola, batatas fritas, tomate, melancia, enfim… Atesto o depósito. Troco de relógio com o Fofoni. A bateria do meu relógio só dura 10 horas e esta deve estar quase a ir-se…

Começo lentamente a subida da Lomba. Com o percurso marcado aquilo parece uma auto-estrada. Só de pensar que durante o treino andei para ali no meio do mato… Faço a subida com um ritmo lento mas sem paragens. Foi algures aqui, durante o treino, que percebi que teria mesmo de comprar uns batons de trail.

OK, agora é só seguir pelos PRs que a coisa está feita. Sigo para Castanheira onde se situa o último abastecimento. Não me demoro (ainda estou sob o efeito da canja). Começa a descida em direcção ao rio e começam também as dores no meu joelho direito. Menos mal, penso eu. Estamos a 5 km do fim. Agora, nem que seja ao pé coxinho!

Com a subida as coisas melhoram. Não sinto as dores. Sigo com a Júlia e com o Abel Benito a um ritmo lento mas constante. Chegado ao alcatrão encontro o pessoal no miradouro. Agora é só deixar rolar até ao Merujal…

UTSF is comming…

Aí está o programa das festas do dia de amanhã! Um belo passeio pelo campo com incursões fluviais à mistura. O S. Pedro ouviu as minhas preces e fez um desconto de 10 graus à temperatura que se verificava no fim de semana passado. Estou em pulgas… e constipado ; )

Se tudo correr bem acho que esta irá ser a actividade mais hardcore que realizei até hoje. Irei ter o apoio dos meus compinchas durante os abastecimentos que, com o arremesso certeiro de pedras, me impedirão de resistir à tentação do tão merecido descanso.

Vou-me mentalizar que tenho um Fofoni a esfumear à minha frente e um Raposo a querer ultrapassar-me nos últimos 10 km ; )