UTSF… depois de passadas as dores de pernas

UTSF 2011 – 03 de Junho

48 105 João Graça Núcleo de Montanha de Espinho M-SEN 12:51:03

É sempre estranho quando sentimos aquele vazio após a conclusão de algo para o qual andamos durante algum tempo a preparar-nos. Por outro lado, o passar do tempo permite algum distanciamento que faz com que os nossos pensamentos sejam mais claros e sem o turbilhão de sensações que se vivem nos momentos imediatamente após a conclusão uma experiência.

O PERCURSO

Inesquecível! Superou as minhas melhores expectativas. Para mim, que me considero um relativo bom conhecedor da Serra da Freita, permitiu-me ligar mentalmente locais que anteriormente conhecia apenas de uma forma isolada. A extensão do percurso, os desníveis a vencer, a aridez dos caminhos de xisto, as aldeias perdidas no meio da serra… são tudo imagens que ficaram gravadas na memória.

A ORGANIZAÇÃO DA PROVA

Eficaz. Penso que tudo aquilo que porventura possa ser melhorado nas próximas edições serão apenas pormenores. A simpatia com que somos acolhidos pelo pessoal dos abastecimentos ajuda-nos mais que muitas das calorias ingeridas. A canja do km 60 tornou a subida da Lomba num passeio depois do almoço.

Fico com a impressão que o desenho de percursos tem muito de semelhante com a abertura de vias de escalada em rocha. O equilíbrio entre passagens mais técnicas e zonas de maior descompressão, a beleza dos movimentos originados pela forma como o corpo se adapta ao meio em que progride, a sensação de descoberta, as variações de ritmos… O Moutinho é, sem dúvida, um grande equipador de vias de trail.

AS PESSOAS

O ambiente é fantástico! Todos os participantes estão ali apenas com uma preocupação: tentar dar o seu melhor. A superação pessoal é o grande motor da prova. Ao contrário daquilo que sinto nas provas de corrida em estrada, em que cada atleta está a competir contra todos os outros para subir um pouco na tabela classificativa, nas provas de trail running sinto que a presença dos outros atletas é mais uma ajuda para alcançar o objectivo pessoal. Com alguns quilómetros de prova percorridos e com a generalidade dos atletas cansados tanto física como mentalmente vivem-se momentos de camaradagem e entreajuda. Num  dado momento posso ser eu que esteja a motivar um atleta mais em baixo para daí a alguns quilómetros os papéis inverterem-se.

A EXPERIÊNCIA

Se há cinco anos atrás me dissessem que iria fazer a UTSF eu diria que era impossível. “Eu nem gosto de correr!” seria provavelmente a minha resposta. A verdade é que sem a motivação transmitida pelo Raposo, pelo Tamagnini e mais recentemente pelo Fofoni eu nunca teria atingido este objectivo. Quem diria que a corrida é um desporto de equipa!

“Cada pessoa deve encontrar o seu próprio Evereste” – aconselha-nos o João Garcia.

Para nos superarmos não precisamos de viajar até aos Himalaias. A Serra da Freita é bem mais perto! Quer seja numa corrida de montanha, numa via de escalada ou num bloco, ou até mesmo numa tese de Doutoramento ou no desenrolar da actividade profissional, devemos procurar ir sempre além da nossa “zona de conforto“.

As corridas, para mim, representam sair da minha “zona de conforto“, embora sem o compromisso que caracterizam outras actividades como o alpinismo, por exemplo, permite-me uma prática mais regular e assegura igualmente a descoberta de novos territórios, tanto físicos como mentais.

Fotos: Abel Benito, Fofoni e Raposo

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