Grande 1/2 Trail Serra d´Arga

A previsão cumpriu-se. O nevoeiro cobria as zonas mais elevadas da serra e o vento fazia-se sentir. Já tinha saudades deste tempo. Sentir as gotas de água bater na cara e ouvir o zumbido das rajadas nos ouvidos. A natureza a servir-se dos seus elementos para fazer-nos sentir mais humildes e ao mesmo tempo mais vivos.

O ambiente era de alguma expectativa já que bastava olhar para cima para perceber que o céu nos iria cair em cima.

A corrida arrancou à oitava badalada do sino da igreja de Dem. A subida inicial serviu para acordar as pernas que teimavam em não querer perceber que hoje era dia de corrida.

A organização estava perfeita. Os abastecimentos sucediam-se de uma forma tão rápida que só por causa dos bolicaos e donuts devo ter engordado nesta prova!

O vento aumentava à medida que a cota subia. No início da descida as marcações apontavam uma direcção por entre vegetação rasteira e, poucos metros depois, mostravam o caminho empedrado por onde seguiria o percurso. Depois de calibrada a aderência das sapatilhas foi descer, descer, descer…

Mais à frente o caminho passou a atravessar uma zona arborizada. Seguimos à sombra das árvores que nos protegem do vento.

Finalmente encontro o Âncora. Sinto-me agora em terreno conhecido. Sei que daqui a S. Lourenço da Montaria é um tiro. Quase a chegar à zona dos viveiros vejo o Mark a vir em direcção na direcção contrária. Mais 800 m e termina! , diz ele. Não percebi. Será que existe um controlo à frente e o percurso volta para trás? Não me lembrava deste ir e vir na descrição do percurso. A prova foi cancelada! , dizem-me mais à frente.

Olho para o cimo da serra. Vejo tudo tapado. A Senhora do Minho vai ter de esperar…

Durante o regresso a Dem penso que as condições atmosféricas conferem um certo carácter aos locais. A Freita é um bom exemplo disso. Se em Espinho está a chuviscar na Freita não se vê boi…

Penso também que a profecia acabou por se cumprir…

Para o Carlos Sá e toda a organização da prova um muito obrigado pelo empenho demonstrado e, acima de tudo, pela coragem em cancelar a prova. O mais fácil seria deixar a coisa rolar e, bem ao nosso estilo, esperar que tudo corresse bem. Penso que ninguém saiu da Serra d´Arga com a sensação de tempo perdido. Muito pelo contrário, o desejo de voltar penso ser geral.

K42 Portugal

O plano era simples. Ir nas calmas até ao km 14, rolar até aos 37 e aproveitar a descida final para recuperar algum tempo. Sem stress.

Nesta prova optei por não levar mochila o que me obrigou a fazer um controlo mais rigoroso das quantidades de água que bebia e a focalizar-me no abastecimento seguinte de forma a gerir as reservas.

Foto: Sérgio Azenha

Foto: Sérgio Azenha

Até ao km 30 tive a companhia do Nélson e do Bruno Arteiro. Nas zonas menos técnicas prefiro correr acompanhado já que podemos ir-nos puxando uns aos outros mantendo um ritmo mais ou menos constante. Quando entramos no downhill, aí prefiro soltar as pernas e deixar-me levar pela adrenalina e assistir ao festival de sinapses que ocorre nas profundezas da mente.

Foto: Sérgio Azenha

No final, a coisa até correu bem. 06:46:19, 29º da geral. Melhor do que a classificação foi ter chegado à meta em condições de ainda me sentir capaz de enfiar mais uns 30 km nas pernas. OK, já sei que não me derreti o suficiente. Mas também há ainda menos de um ano estive na Patagónia ; )

Foto: AXTrail

A organização esteve, como vem sendo hábito, excelente. Apenas um reparo: o melão dos abastecimentos atrasou-me, à vontade, uns cinco minutos!

Provas no Peru

Durante as férias no Peru participei em várias provas. Gastronómicas, claro!

Dos países que já visitei o Peru foi aquele em que, de uma forma geral, melhor comi. Desde os restaurantes top dos mundialmente conhecidos chefes Gastón Acurio e Rafael Osterling até aos restaurantes de beira de estrada nota-se um cuidado muito especial na forma como os pratos são confeccionados e apresentados.

Desde que o Gastón Acurio alcançou o reconhecimento mundial houve uma espécie de boom que fez com que, por exemplo, só em Lima fossem criadas 22 escolas de hotelaria!

A nova cozinha andina caracteriza-se por ser uma fusão de sabores europeus, predominantemente italianos, asiáticos, fruto da influência da comunidade japonesa e uma multiplicidade de sabores dos produtos locais, que vão desde frutos da floresta amazónica até aos peixes das águas do Pacífico.

Se forem para aqueles lados não deixem de visitar os restaurantes Chicha ou Tanta do Gastón Acurio. De certeza que não se arrependem!

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