UTAM 2011

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Uns míseros três graus. Era quanto marcava o termómetro do carro quando chegamos a Barcelos. A névoa ajudava a dar um toque místico à coisa. Às oito e pouco era dada a partida e foi com algum alívio que comecei a sentir o corpo a aquecer. O programa das festas para hoje consistia num passeio pelo monte com cerca de 52K pelo que seria necessário seguir a um ritmo que me permitisse chegar à meta com um mínimo de dignidade. Ainda não tinha chegado ao km 2 e já me tinha despedido do Fofoni. Seguia agora na companhia do Tiago e da Patrícia. Por volta do km 8 deixei-os adiantarem-se. Não me podia entusiasmar pois a procissão ainda mal tinha começado e ainda era muito cedo para começar a bufar.

No final da primeira subida os horizontes alargaram-se. Ao longo do percurso ía espreitando alguns dos blocos de granito que salpicavam a paisagem. Se isto fosse em Espinho não havia cristal que não tivesse sido espremido…

Perto do km 15 começou-me a doer a barriga. Nada que me obrigasse a parar mas chata o suficiente para tornar incómodos os impactos das sapatilhas no terreno. Aguenta…

No final de uma descida encontro o Miguel Catarino. Pergunto-lhe se o Fofoni passou há muito? 10 minutos diz-me ele. De duas uma: ou eu vou muito rápido ou ele vai devagar.

A dor de barriga não me larga. Nunca me tinha acontecido estar tanto tempo com dores durante uma corrida. Sentia-me com uma dor de burro versão light. Pode ser que isto passe…

Atravesso o rio Neiva e começo a subir pela margem direita. Sou cercado por uma mancha verde. Um pequeno slide coloca-me na margem oposta. Continuo a seguir junto ao rio. Mais à frente atravesso novamente o rio de pedra em pedra. Isto escorrega… Em poucos minutos aterro no posto de abastecimento. Bolas de berlim! Croissants! Que se lixe a dor de barriga!

Mais um serpenteio por entre o rio e moínhos abandonados e começo novamente a subir. Cruzo-me com um caçador. Com a t-shirt amarela flurescente acho que só me tornarei num alvo se andarem à caça de ovnis.

Upa, upa! O percurso segue agora por uma rampa estilo corta-fogo. O sol a bater nas costas contrasta com o frio sentido de manhã. Sem dúvidas, prefiro o frio.

Não sou grande fã de estradões. Ao fim de algum tempo começo-me a aborrecer com a monotonia do percurso. Prefiro single tracks em que os olhos estão fixos nos próximos 5 metros de caminho e nos quais as sinapses fervilham, não havendo sequer a hipótese de pensar em parar.

Os quilómetros vão-se sucedendo. Uma subida asfaltada rumo ao céu denuncia a chegada ao Monte Facho. A partir daqui acabaram-se as subidas. A dor de barriga não me dá grandes chances de destruir o que resta dos joelhos na descida seguinte.

Aterro no asfalto. Recordo-me que a parte final da prova era feita sem desníveis. 5K to go!

Mal entro na zona dos campos de cultivo entra-me um mosquito para um olho. Só me faltava esta! Na tentativa de retirar o insecto rapidamente me dou conta que tenho os dedos com sal. Continuo a correr parecendo um pirata que acabou de sobreviver a um naufrágio. Ao longe vejo uma ponte. Pelas minhas contas os 52K previstos não vão chegar para ir até à meta. Os rumores dos 54K confirmam-se.

Já no centro de Barcelos ainda andei um bocado perdido. É o que dá correr sem óculos!

Ao longe começo a ver o pórtico da meta. Está feito. 7 horas de prova. 5 horas de dores de barriga que não me deixaram sossegado.