05h00. Destino: Torre

05h00. O telemóvel desperta. Visto-me enquanto mastigo uma barra energética fora do prazo de validade que andava perdida lá por casa faz tempo. Olho pela janela e vejo os ramos de uma árvore a esbracejarem para todas as direcções. Tá visto, vou mesmo ter de levar o corta vento vestido. Bebo dois copos de água, despeço-me da Vanessa e olho para cima da mesa a ver se não me esqueço de nada do que havia preparado no dia anterior.

O programa das festas é simples. Subir desde a Varanda dos Carqueijais até à Torre por estrada. Se der, avançarei um pouco pelo Vale de Loriga. A partir daí controlar o tempo para estar novamente no hotel o mais tardar às 10h00 para chegar a tempo de tomar o pequeno almoço.

Mal ponho os pés cá fora começo a correr. Tenho 1000 metros de desnível para aquecimento. Passo as Penhas da Saúde e um pouco mais à frente o centro de limpeza de neve. A luz do frontal começa a esvanecer-se. Depois do treino da última quinta-feira devia ter-me lembrado de substituir as pilhas. Olho para trás e começo a ver alguma claridade no horizonte. No problem. Daqui a um horita o sol já deve aparecer e o frontal deixa de ser uma preocupação.

Sinto-me um ciclista a fazer a etapa do ataque à Torre. Só que não tenho nem bicicleta nem assistência… O vento empurra-me contra o talude e começo a perder visibilidade. Lá se vai o nascer do sol romântico…

Olho à minha volta e cada um daqueles corredores traz-me recordações invernais. Tenho saudades do Inverno.

Um pouco antes da curva do Cântaro Magro vejo uma placa de um PR com a indicação Torre 1Km. Siga! Já chega de alcatrão. Corro no meio do nevoeiro seguindo as mariolas. Quando não as vejo sigo na direcção do ponto mais elevado na certeza que, mais cedo ou mais tarde, terei de esbarrar na Torre.

Começo a ver as vedações do parque de ski. Parece-me um cenário de um gulag… Eis que começo a vislumbrar o marco geodésico e a Torre. Olho para o relógio. Estou com 15 km e folgado de tempo. Olho na direcção do Vale de Loriga e só vejo branco.Nãããã… Decido então baixar seguindo agora por trilhos em vez da estrada. Já estou a imaginar o sumo de laranja do pequeno almoço…

O primeiro trilho que escolho deixa de existir ao fim de uns 300 metros. Dou por mim no meio da carqueja, empoleirado em cima de um bloco de granito, a rever um filme já visto inúmeras vezes. OK, desisto. Volto para trás para seguir um novo trilho que me levará até à Nave de Santo António.

Sinto o calor dos primeiros raios de sol aquecerem-me a cara. O silêncio é de ouro. São estas as sensações que me fazem sair da cama…

A partir do centro de limpeza de neve foi sempre a dar-lhe. Dou por mim a pensar que deveria ter feito a Meia Maratona da semana passada a este ritmo : )

Eram 09h00 quando aterrei novamente no local de partida.

Next stop: Serra d´Arga

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