Serra da Freita Fell Race 2012

Céu azul, trilhos marcados, pórtico de meta,…

Nada disto faz parte daquela que considero ser uma das minhas corridas preferidas. Este ano a Fell Race da Freita fez justiça às suas origens celtas e brindou-nos com um ambiente mágico. O nevoeiro e o vento transportavam-nos para as highlands e apenas os espinhos da vegetação rasteira nos faziam recordar a qualidade do silvado nacional. A sensação de isolamento apenas é interrompida pelo avistamento pontual de outros corredores que procuram também encontrar o melhor percurso que os leve ao posto de controlo seguinte.

A prova arranca do marco geodésico de S. Pedro O Velho tendo dois pontos de passagem obrigatória e termina no local de partida. A distância total é de pouco mais de dez quilómetros.

Este ano as condições de visibilidade eram muito reduzidas pelo que a orientação era feita mais a sentimento e da recordação do percurso do ano anterior.

Ainda tentei seguir com o Forerunner o track do percurso da prova de 2011 mas rapidamente me dei conta que de duas uma: ou parava constantemente para fazer zoom e orientar-me com o relógio ou então estava sempre a tropeçar e a cheirar os blocos de granito…

Como a piada da prova está mesmo no jogo da procura do melhor percurso preferi correr a sentimento . No primeiro ponto de controlo cheguei em terceiro com o Fofoni à minha frente. Seguimos juntos em direção ao segundo ponto de controlo. Cheguei a este ponto e estava em segundo lugar da prova já que tinha seguido por um caminho mais favorável que o Fofoni. Agora bastava seguir para o marco geodésico de S. Pedro O Velho para acabar a prova. Este tramo é o mais complicado pois por diversas vezes se perde o contacto visual com aquela elevação e o terreno apresenta uns desníveis consideráveis. Para fugir a estes vales sabia que tinha de seguir um pouco pela direita. No caminho conseguia ver as pegadas das sapatilhas do que pensava ser o líder da corrida. Continuei a correr à espera de ver um corte à esquerda que me permitisse encurtar a distância para a meta. Comecei então a aperceber-me que estou a correr à demasiado tempo… Já devia ter virado…

Olho para o marco geodésico e sigo agora em linha recta. Subo uma elevação para poder ter uma leitura do terreno e quando chego ao cume vejo um grupo de corredores a seguir pelo vale mais abaixo à minha frente. “Já fui comido” pensei eu. Começo a descer para tentar recuperar e é então que mando um tralho com direito a cambalhota. Levanto-me e tento simular uns passos de corrida. Sinto-me como se tivesse sido atropelado. Já não bastava ter as pernas crivadas de espinhos tenho agora também os joelhos desfeitos. Sigo para a meta meio a correr meio a caminhar.

Que bela corrida!

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Agradeço ao José Moutinho e à Confraria Trotamontes a organização desta corrida. Esta é daquelas provas que não podem falhar no meu calendário.

Fotos: João Lopes Cardoso, José Moutinho

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