Arquivo da categoria: Trail Running

Programa das Festas para 2012

Aqui estão os projectos para o próximo ano:

JANEIRO

14 – Oh Meu Deus, Proença-a-Nova, 60 K

28 – Trail dos Abutres, Lousã, 45 K

FEVEREIRO

11- Galicia Máxica Night Trail

26 – Trail Conímbriga

MARÇO

10 – Oh Meu Deus, Guarda, 60 K

24 – Transgerês, ?? K

ABRIL

1 – Trilhos de Almourol, Abrantes

15 – Ultra Trail Sesimbra

MAIO

5 – Oh Meu Deus, Estrela, 104 K (?)

Fell Race 2011, Serra da Freita

Uma vez mais a Serra da Freita foi o cenário para uma das corridas mais divertidas que por cá se realizam. O vento e o frio foram os melhores incentivos para não parar de correr. Este ano resolvi colar-me desde o início ao grupo da frente para me deixar guiar por entre o planalto da Freita. No primeiro controlo estava em quinto conseguindo recuperar uma posição até ao segundo controlo. Depois da montanha russa do ano passado sabia que teria de seguir um pouco mais pela direita de forma a evitar o vale que atravessa o alinhamento entre o segundo controlo e o marco geodésico de S. Pedro O Velho. Já no caminho para a meta o Miguel Catarino apanha-me e seguimos juntos até ao final da prova.

Freedoooooommmmmmmm………!

UTAM 2011

Este slideshow necessita de JavaScript.

Uns míseros três graus. Era quanto marcava o termómetro do carro quando chegamos a Barcelos. A névoa ajudava a dar um toque místico à coisa. Às oito e pouco era dada a partida e foi com algum alívio que comecei a sentir o corpo a aquecer. O programa das festas para hoje consistia num passeio pelo monte com cerca de 52K pelo que seria necessário seguir a um ritmo que me permitisse chegar à meta com um mínimo de dignidade. Ainda não tinha chegado ao km 2 e já me tinha despedido do Fofoni. Seguia agora na companhia do Tiago e da Patrícia. Por volta do km 8 deixei-os adiantarem-se. Não me podia entusiasmar pois a procissão ainda mal tinha começado e ainda era muito cedo para começar a bufar.

No final da primeira subida os horizontes alargaram-se. Ao longo do percurso ía espreitando alguns dos blocos de granito que salpicavam a paisagem. Se isto fosse em Espinho não havia cristal que não tivesse sido espremido…

Perto do km 15 começou-me a doer a barriga. Nada que me obrigasse a parar mas chata o suficiente para tornar incómodos os impactos das sapatilhas no terreno. Aguenta…

No final de uma descida encontro o Miguel Catarino. Pergunto-lhe se o Fofoni passou há muito? 10 minutos diz-me ele. De duas uma: ou eu vou muito rápido ou ele vai devagar.

A dor de barriga não me larga. Nunca me tinha acontecido estar tanto tempo com dores durante uma corrida. Sentia-me com uma dor de burro versão light. Pode ser que isto passe…

Atravesso o rio Neiva e começo a subir pela margem direita. Sou cercado por uma mancha verde. Um pequeno slide coloca-me na margem oposta. Continuo a seguir junto ao rio. Mais à frente atravesso novamente o rio de pedra em pedra. Isto escorrega… Em poucos minutos aterro no posto de abastecimento. Bolas de berlim! Croissants! Que se lixe a dor de barriga!

Mais um serpenteio por entre o rio e moínhos abandonados e começo novamente a subir. Cruzo-me com um caçador. Com a t-shirt amarela flurescente acho que só me tornarei num alvo se andarem à caça de ovnis.

Upa, upa! O percurso segue agora por uma rampa estilo corta-fogo. O sol a bater nas costas contrasta com o frio sentido de manhã. Sem dúvidas, prefiro o frio.

Não sou grande fã de estradões. Ao fim de algum tempo começo-me a aborrecer com a monotonia do percurso. Prefiro single tracks em que os olhos estão fixos nos próximos 5 metros de caminho e nos quais as sinapses fervilham, não havendo sequer a hipótese de pensar em parar.

Os quilómetros vão-se sucedendo. Uma subida asfaltada rumo ao céu denuncia a chegada ao Monte Facho. A partir daqui acabaram-se as subidas. A dor de barriga não me dá grandes chances de destruir o que resta dos joelhos na descida seguinte.

Aterro no asfalto. Recordo-me que a parte final da prova era feita sem desníveis. 5K to go!

Mal entro na zona dos campos de cultivo entra-me um mosquito para um olho. Só me faltava esta! Na tentativa de retirar o insecto rapidamente me dou conta que tenho os dedos com sal. Continuo a correr parecendo um pirata que acabou de sobreviver a um naufrágio. Ao longe vejo uma ponte. Pelas minhas contas os 52K previstos não vão chegar para ir até à meta. Os rumores dos 54K confirmam-se.

Já no centro de Barcelos ainda andei um bocado perdido. É o que dá correr sem óculos!

Ao longe começo a ver o pórtico da meta. Está feito. 7 horas de prova. 5 horas de dores de barriga que não me deixaram sossegado.

Grande 1/2 Trail Serra d´Arga

A previsão cumpriu-se. O nevoeiro cobria as zonas mais elevadas da serra e o vento fazia-se sentir. Já tinha saudades deste tempo. Sentir as gotas de água bater na cara e ouvir o zumbido das rajadas nos ouvidos. A natureza a servir-se dos seus elementos para fazer-nos sentir mais humildes e ao mesmo tempo mais vivos.

O ambiente era de alguma expectativa já que bastava olhar para cima para perceber que o céu nos iria cair em cima.

A corrida arrancou à oitava badalada do sino da igreja de Dem. A subida inicial serviu para acordar as pernas que teimavam em não querer perceber que hoje era dia de corrida.

A organização estava perfeita. Os abastecimentos sucediam-se de uma forma tão rápida que só por causa dos bolicaos e donuts devo ter engordado nesta prova!

O vento aumentava à medida que a cota subia. No início da descida as marcações apontavam uma direcção por entre vegetação rasteira e, poucos metros depois, mostravam o caminho empedrado por onde seguiria o percurso. Depois de calibrada a aderência das sapatilhas foi descer, descer, descer…

Mais à frente o caminho passou a atravessar uma zona arborizada. Seguimos à sombra das árvores que nos protegem do vento.

Finalmente encontro o Âncora. Sinto-me agora em terreno conhecido. Sei que daqui a S. Lourenço da Montaria é um tiro. Quase a chegar à zona dos viveiros vejo o Mark a vir em direcção na direcção contrária. Mais 800 m e termina! , diz ele. Não percebi. Será que existe um controlo à frente e o percurso volta para trás? Não me lembrava deste ir e vir na descrição do percurso. A prova foi cancelada! , dizem-me mais à frente.

Olho para o cimo da serra. Vejo tudo tapado. A Senhora do Minho vai ter de esperar…

Durante o regresso a Dem penso que as condições atmosféricas conferem um certo carácter aos locais. A Freita é um bom exemplo disso. Se em Espinho está a chuviscar na Freita não se vê boi…

Penso também que a profecia acabou por se cumprir…

Para o Carlos Sá e toda a organização da prova um muito obrigado pelo empenho demonstrado e, acima de tudo, pela coragem em cancelar a prova. O mais fácil seria deixar a coisa rolar e, bem ao nosso estilo, esperar que tudo corresse bem. Penso que ninguém saiu da Serra d´Arga com a sensação de tempo perdido. Muito pelo contrário, o desejo de voltar penso ser geral.

K42 Portugal

O plano era simples. Ir nas calmas até ao km 14, rolar até aos 37 e aproveitar a descida final para recuperar algum tempo. Sem stress.

Nesta prova optei por não levar mochila o que me obrigou a fazer um controlo mais rigoroso das quantidades de água que bebia e a focalizar-me no abastecimento seguinte de forma a gerir as reservas.

Foto: Sérgio Azenha

Foto: Sérgio Azenha

Até ao km 30 tive a companhia do Nélson e do Bruno Arteiro. Nas zonas menos técnicas prefiro correr acompanhado já que podemos ir-nos puxando uns aos outros mantendo um ritmo mais ou menos constante. Quando entramos no downhill, aí prefiro soltar as pernas e deixar-me levar pela adrenalina e assistir ao festival de sinapses que ocorre nas profundezas da mente.

Foto: Sérgio Azenha

No final, a coisa até correu bem. 06:46:19, 29º da geral. Melhor do que a classificação foi ter chegado à meta em condições de ainda me sentir capaz de enfiar mais uns 30 km nas pernas. OK, já sei que não me derreti o suficiente. Mas também há ainda menos de um ano estive na Patagónia ; )

Foto: AXTrail

A organização esteve, como vem sendo hábito, excelente. Apenas um reparo: o melão dos abastecimentos atrasou-me, à vontade, uns cinco minutos!

Going down!

O dia começou cedo. Saí de Águas Calientes e fiz a subida até Machu Picchu a pé. Demorei um pouco mais que uma hora mas foi o suficiente para chegar a pingar. Apesar de ser muito cedo a temperatura deveria rondar os 18 graus. A humidade, essa sim, deveria andar nos 80%.

Depois, conforme planeado, subi com a Vanessa ao Wayna Picchu. Já sentia os gémeos. Bom sinal. Baixamos até Machu Picchu. A Vanessa apanhou o bus até Águas Calientes. Eu iria aproveitar para enfiar mais alguns quilómetros nas pernas.

Preferi baixar pelo estradão por onde sobem e descem os autocarros de acesso a Machu Picchu. Segundo o guia a distância por estrada até Águas Calientes era de 7 km (na realidade foram 9 km). Se baixasse pelo caminho por onde havia subido de manhã iria percorrer uma distância menor e iria destroçar os joelhos.

Assim, foi sempre a descer… Para a frente e para trás…

De vez em quando lá passava por mim um autocarro. Numa das curvas, tal era o zigzag, consegui mesmo ultrapassar um!

Vou olhando para o Putucusi, a elevação à minha frente, e vou observando a diminuição de cota. Está abafado. À minha volta só vejo verde e o estradão de terra batida. Lá em baixo vejo os comboios estacionados no fundo do vale. O barulho das águas bravas do rio Urubamba vai aumentando de volume.

Finalmente aterro em Águas Calientes. Penso na diferença que a altitude provoca no esforço.

PS: escrevo este post no comboio que faz a ligação Águas Calientes – Cusco. No banco ao lado está um casal que, de x em x tempo, vai inalando pequenas porções de Oxi Shot, um spray de inalação com O2 que se vende por aqui nas farmácias. Acho que em algumas provas um shot destes ía saber mesmo bem…

Já anoiteceu. A carruagem está cheia de melgas, pequenos mosquitos e borboletas. A luz do ipad atrai a bicharada. Acho que vou desligar…

Sinto-me asmático

Final de tarde. As nuvens reflectem os últimos raios de sol. O vento sopra e sente-se o gelar das mãos. Tenho de ir correr. Se não o fizer sei que irei penar daqui a uns dias no K42. As dores de cabeça já me passaram e sinto-me como se estivesse a sair de casa.

O único sítio onde posso correr é ao longo da Panamericana Sur, estrada que liga o Perú à Bolívia. Esta estrada bordeja o Lago Titikaka. O Menezes bem que podia vir aqui fazer um workshop sobre passadiços e arranjos urbanísticos.

Começo a correr. Ao fim de 500 m a passo de caracol já estou a bufar. Sigo na direcção de Puno. A estrada é plana. Estou a cerca de 3900 m de altitude. Sinto o vento frio nas mãos. Tento acelerar o ritmo para aquecer. Ao final do primeiro km sinto-me melhor que na última corrida.

Para além da carência de O2 tenho o incremento de CO e de CO2. Sinto-me a correr na Nacional 1. Os faróis dos camiões fazem-me perder a visibilidade por breves instantes.

Quase a chegar ao km 3 aparecem-me uns cães. No stress. Pelo tamanho não impõem grande respeito. Isto até ao momento em que vejo um cão a ladrar a vir disparado na minha direcção. Tou f*****! Continuo a correr sempre a olhar para trás com o olhar fixo nos dentes arreganhados e na baba pendurada no focinho da besta. Tou f*****!

Virei-me ao animal aos berros e com os braços no ar. Ficamos a olhar um para o outro a medir forças. Ganhei! Mal nos distanciamos uns 10 m peguei logo em duas pedras pelo sim, pelo não.

Voltei para trás. Não me apetecia ter muitos mais destes encontros com a vida animal.

Quase a chegar ao ponto de partida dou por mim no seguinte estado: dores musculares, nada; cansaço físico, nada; correr, nada! Sinto-me impotente. As pernas não andam mais rápido. Pareço um asmático.

Decido então fazer umas rampas curtas mesmo em frente do hotel. Fiz uma! Desisto.

Estas corridas têm servido para elevar a minha consideração pelos praticantes de alta montanha.

É brutal!

Este slideshow necessita de JavaScript.

Correr a 3400 m cansa!

Desde o AXTrail que não fazia nada. Hoje foi o dia de regresso aos treinos. Perguntei na recepção do Refúgio del Colca por caminhos aqui à volta mas fiquei na mesma. Resolvi então correr na estrada que liga Chivay a Cabanaconde e que acompanha o Canyon del Colca. Os 10km que queria fazer deveriam chegar para ir até Yanque e regressar.

Ao final do km1 o batimento cardíaco já ía nos 160 bpm a correr em plano! Ao km2 começa-me a doer a cabeça… OK, então é isto!

Continuo a correr a um ritmo ultra lento. Entro em Yanque e atravesso a praça em direcção à entrada da Igreja. Paro um minuto para tirar fotos e começo a correr de volta ao Refúgio. A dor de cabeça mantém-se. Se tento acelerar o ritmo os pulmões começam a saír-me pela boca. Parece que corro com cinco quilos amarrados a cada perna num domingo de ressaca…

Demorei mais de uma hora para fazer 10 km. Isto de correr cá em cima não é nada fácil, não…

Este slideshow necessita de JavaScript.

AXTrail #03 Serie – Uma corrida a Fajões

Este slideshow necessita de JavaScript.

O percurso prometia: 35 km mais ou menos planos, uma subida demolidora no final e uma passagem de 3,7 km no interior de um túnel.

05h30: Acordo, ou melhor, saio da cama.

06h00: Apanho o Fofoni.

06h…: O Raposo apanha-me algures na A1.

08h30: Chegamos a Fajão.

10h30 aprox.: Partida!

Eu, o Fofoni, o Bruno e o Raposo chegamos juntos ao primeiro abastecimento. Logo a seguir era a entrada no túnel. Se por um lado a água fria ajudou a baixar a temperatura corporal, por outro penso que terá sido responsável pelas cãimbras que muitos dos corredores sentiram nesta prova. Penso que se esta passagem fosse de apenas 1 km era espectacular. Com 3,7 km, a meio do percurso, OK, I get the picture!

PARENTAL ADVISORY: EXPLICIT SEMANTICS!

Depois do túnel tive de descarregar as duas dragas que trazia nos pés. A partir daqui fiz o resto do percurso com o Raposo que foi uma das vítimas da água fria. Até ao início da descida não achei grande piada ao percurso. Prefiro trilhos mais técnicos e desnivelados a estradões papa quilómetros.

No segundo abastecimento o Raposo aproveitou para tirar as sapatilhas e eu aproveitei para me abastecer. Acho que engordei neste abastecimento! Bebi e comi demasiado o que fez com que o arranque para a subida final me custasse um pouco. Atravessado o rio foi subir, subir, subir… Pelas minhas contas teria ainda de subir até ao marco geodésico que se via à direita pelo que foi com alguma satisfação que vi uns corredores da frente a baixar pela esquerda já em direcção a Fajão. Daí à meta foi só deixar rolar…

O Bruno esteve em grande no seu primeiro grande trail! O Fofoni,… avariado intestinalmente.

Saldei a minha dívida com o Raposo já que no ano passado em Sicó foi sobre mim que as cãimbras e o desânimo abateram e foi ele que me rebocou até à meta.

Chegar ao fim nestas condições é o que se chama Superação. Que o diga o Fran!

 

 

GMTA # Serra do Galiñeiro

Este slideshow necessita de JavaScript.

A corrida teve início logo após ter terminado a actividade de canyoning na Serra d´Arga. Foi só o tempo de tirar o fato, vestir calções e siga para a Galiza!

Esta corrida doeu…

Durante esta última semana tenho-me sentido bastante cansado e o início desta prova não era propriamente um passeio pelo campo. Só lá para o km 15 é que me comecei a sentir a melhor e a tirar algum proveito da magnífica paisagem galega. Até lá foi sempre a castigar o corpo…

 

 

Morning jog @ Serra da Freita

Ceú ligeiramente nublado. Temperatura moderada. Boa companhia. What else?

Juntamente com o Bruno Arteiro e o Miguel Catarino fomos trilhar o percurso do Mini Trail da Serra da Freita. Penso que desta vez a subida da Misarela custou-me mais do que na UTSF… As pernas entraram em greve e recusaram-se a sofrer. Deveria ter comido alguma coisa a meio da corrida para aguentar a carga… Valeu a miragem de um fino no Merujal para me içar até lá acima : )

Lição de vida: Em corridas com mais de 10 k tenho mesmo de enfiar qualquer coisa pelas goelas abaixo ainda que não sinta fome sob pena das pernas se recusarem a cooperar na brincadeira.

 

 

Free Running com Carlos Sá

O dia começou bem cedo. Com apenas três horas de sono saí da Régua eram umas sete da manhã. O céu ia-se tornando cada vez mais escuro à medida que descia pelo IP4 em direcção ao Porto. O motivo para madrugar era mais que justificado. Afinal, não é todos os dias que podemos fazer um treino acompanhados por um verdadeiro campeão.

O início da corrida deu-se no Parque da Cidade. Juntamente com outros corredores já conhecidos de outros trilhos e camiños lá seguiu o cortejo por entre ruas e jardins da cidade. O percurso foi bastante variado.

Houve subidas…

Houve descidas…

E, acima de tudo, houve um ambiente de festa geral já que todos os participantes partilhavam um sentimento comum: prazer!

Passeios hermínios

Este slideshow necessita de JavaScript.

Chegamos ao Parque de Campismo do Vale de Rossim já passava das cinco da tarde de sábado. Montamos a tenda e fomos dar uma pequena volta de bicicleta até às Penhas Douradas, mesmo ali ao lado. O vento soprava agora mais forte e a Vanessa começava já a fazer contas à quantidade de roupa que tinha trazido para dormir. Porque é que não trouxeste o outro saco cama quentinho? O outro saco cama quentinho é o Nanga Parbat da Diamir!

Regressamos ao parque e enquanto preparo a mochila para o treino de domingo encontro uma cara que me parece familiar. Era o ultra campeão Armando Teixeira! Em estágio pela Serra da Estrela em preparação para a UTMB. No dia seguinte ia fazer Manteigas – Torre por estrada. Muita subida para mim…

O meu plano para o treino do dia seguinte era fazer Vale do Rossim -Torre – Vale do Rossim pelo cimo da Serra. Para isso teria de acordar às sete e contar com umas quatro horas de corrida. Não é todos os dias que se pode fazer um treino acima dos 1500 m.

Resolvemos ir jantar ao Museu do Pão, em Seia. Digamos que necessitaria de fazer umas duas ultras só para queimar as calorias ingeridas naquele jantar…

No regresso ao Parque de Campismo o nevoeiro já se tinha apoderado da estrada. Visibilidade de uns três metros, se tanto. Já na tenda preparo tudo para de manhã arrancar cedo.

Acordei várias vezes durante a noite. Por um lado, ainda andava a ruminar o jantar, por outro, ouvia a chuva a bater na tenda…

Acordo com o relógio a despertar. Espreito pela porta da tenda. Não consigo ver nada… Com estas condições não vale a pena sequer pensar em sair. Iria estar mais tempo parado à procura do caminho do que a correr. Volto a enfiar-me no saco cama.

Acordo novamente às oito e meia. O tempo parece querer abrir. Como um pedaço de pão trazido do Museu do Pão e preparo as tralhas. Combino com a Vanessa a hora a que devo regressar. Siga!

Começo a correr seguindo o caminho que vai em direcção à Torre. Ainda não tinha corrido 1 km quando começo a ouvir ladrar. Apercebo-me que são vários cães a virem na minha direcção e, pelo vozeirão, não são caniches. 1, 2, 3… 5 serras da estrela! Paro de correr. Deixo um dos cães farejar-me a mão. Amigo… Passados cem metros retomo o andamento.

Entro numa zona em que a vegetação cobriu parte do trilho. As gotas de água fria da chuvada da noite escorrem agora pelas pernas abaixo. Não foi preciso atravessar nenhum curso de água para ficar completamente encharcado. Sigo agora atrás das mariolas em direcção à Torre. Começo a avistar ao longe o perfil de duas esferas que me indicam a localização da Torre. Pelas minhas contas sei que não vou ter tempo de ir até lá e regressar a horas. Se tivesse arrancado às sete…

Decido seguir até ao marco geodésico e fazer o regresso a partir desse ponto. Não sei se foi da altitude ou do jantar do dia anterior mas a verdade é que nas subidas sentia-me a ofegar um pouco mais do que o costume…

Informações do percurso

De regresso ao Parque encontro a Vanessa em plena fotossíntese. Foi só o tempo de tomar banho e seguimos rumo a Linhares da Beira. Já lá não ia a algum tempo mas tinha na memória a lembrança de uma aldeia bem preservada situada a meio da encosta e com uma vista fantástica.

O melhor ainda estava para vir! Como ainda não tínhamos almoçado resolvemos ir comer qualquer coisa à Toca da Loba. Eu comi uma sopa fria de tomate aromatizada com framboesa e cubos de pão seguida de uma tiborna de camarão com salada de rúcula.  *****

Como se não bastasse acabei com um pudim de azeite, mel e laranja. Sublime!!!

O restaurante situa-se no largo em frente à igreja de Linhares e é um pretexto óptimo para uma visita à serra. Quanto mais não seja para descobrirem como se vai para as casas de banho do restaurante…

Scottish Arga

Depois do vídeo inspirador da apresentação do Grande Trail Serra d´Arga não resistimos e quisemos sentir com as nossas próprias pernas esses trilhos minhotos.

No dia anterior tinha estado até à uma e meia da manhã a tentar exportar o percurso da prova para o meu relógio que, uma vez mais, decidiu não receber nem sequer um só waypoint.

Conforme as sugestões dadas pelo Carlos Sá e pelo Jorge Azevedo deixamos o carro em S. Lourenço e começamos a subir, seguindo as marcações de um PR. A visibilidade era muita reduzida. As visões das marcações do PR idem. Depois de atestarmos o vigor da vegetação espinhosa da Serra de Arga acabamos por seguir por um outro percurso que seguia em direcção a Dem. Apanhamos as marcações do caminho de Santiago e, corridos 10 km, eram horas de track back.

 

Sem dúvida que a Serra de Arga aparenta ser um magnífico campo de treinos para prática de trail running. Água, rocha, vegetação, desníveis,… what else?

A meteorologia podia não ser a melhor mas serviu de ensaio para aquelas que deverão ser as condições em que se irá realizar o Grande Trail da Serra de Arga.

Pelo test drive a coisa promete!

UTSF… depois de passadas as dores de pernas

UTSF 2011 – 03 de Junho

48 105 João Graça Núcleo de Montanha de Espinho M-SEN 12:51:03

É sempre estranho quando sentimos aquele vazio após a conclusão de algo para o qual andamos durante algum tempo a preparar-nos. Por outro lado, o passar do tempo permite algum distanciamento que faz com que os nossos pensamentos sejam mais claros e sem o turbilhão de sensações que se vivem nos momentos imediatamente após a conclusão uma experiência.

O PERCURSO

Inesquecível! Superou as minhas melhores expectativas. Para mim, que me considero um relativo bom conhecedor da Serra da Freita, permitiu-me ligar mentalmente locais que anteriormente conhecia apenas de uma forma isolada. A extensão do percurso, os desníveis a vencer, a aridez dos caminhos de xisto, as aldeias perdidas no meio da serra… são tudo imagens que ficaram gravadas na memória.

A ORGANIZAÇÃO DA PROVA

Eficaz. Penso que tudo aquilo que porventura possa ser melhorado nas próximas edições serão apenas pormenores. A simpatia com que somos acolhidos pelo pessoal dos abastecimentos ajuda-nos mais que muitas das calorias ingeridas. A canja do km 60 tornou a subida da Lomba num passeio depois do almoço.

Fico com a impressão que o desenho de percursos tem muito de semelhante com a abertura de vias de escalada em rocha. O equilíbrio entre passagens mais técnicas e zonas de maior descompressão, a beleza dos movimentos originados pela forma como o corpo se adapta ao meio em que progride, a sensação de descoberta, as variações de ritmos… O Moutinho é, sem dúvida, um grande equipador de vias de trail.

AS PESSOAS

O ambiente é fantástico! Todos os participantes estão ali apenas com uma preocupação: tentar dar o seu melhor. A superação pessoal é o grande motor da prova. Ao contrário daquilo que sinto nas provas de corrida em estrada, em que cada atleta está a competir contra todos os outros para subir um pouco na tabela classificativa, nas provas de trail running sinto que a presença dos outros atletas é mais uma ajuda para alcançar o objectivo pessoal. Com alguns quilómetros de prova percorridos e com a generalidade dos atletas cansados tanto física como mentalmente vivem-se momentos de camaradagem e entreajuda. Num  dado momento posso ser eu que esteja a motivar um atleta mais em baixo para daí a alguns quilómetros os papéis inverterem-se.

A EXPERIÊNCIA

Se há cinco anos atrás me dissessem que iria fazer a UTSF eu diria que era impossível. “Eu nem gosto de correr!” seria provavelmente a minha resposta. A verdade é que sem a motivação transmitida pelo Raposo, pelo Tamagnini e mais recentemente pelo Fofoni eu nunca teria atingido este objectivo. Quem diria que a corrida é um desporto de equipa!

“Cada pessoa deve encontrar o seu próprio Evereste” – aconselha-nos o João Garcia.

Para nos superarmos não precisamos de viajar até aos Himalaias. A Serra da Freita é bem mais perto! Quer seja numa corrida de montanha, numa via de escalada ou num bloco, ou até mesmo numa tese de Doutoramento ou no desenrolar da actividade profissional, devemos procurar ir sempre além da nossa “zona de conforto“.

As corridas, para mim, representam sair da minha “zona de conforto“, embora sem o compromisso que caracterizam outras actividades como o alpinismo, por exemplo, permite-me uma prática mais regular e assegura igualmente a descoberta de novos territórios, tanto físicos como mentais.

Fotos: Abel Benito, Fofoni e Raposo