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Provas no Peru

Durante as férias no Peru participei em várias provas. Gastronómicas, claro!

Dos países que já visitei o Peru foi aquele em que, de uma forma geral, melhor comi. Desde os restaurantes top dos mundialmente conhecidos chefes Gastón Acurio e Rafael Osterling até aos restaurantes de beira de estrada nota-se um cuidado muito especial na forma como os pratos são confeccionados e apresentados.

Desde que o Gastón Acurio alcançou o reconhecimento mundial houve uma espécie de boom que fez com que, por exemplo, só em Lima fossem criadas 22 escolas de hotelaria!

A nova cozinha andina caracteriza-se por ser uma fusão de sabores europeus, predominantemente italianos, asiáticos, fruto da influência da comunidade japonesa e uma multiplicidade de sabores dos produtos locais, que vão desde frutos da floresta amazónica até aos peixes das águas do Pacífico.

Se forem para aqueles lados não deixem de visitar os restaurantes Chicha ou Tanta do Gastón Acurio. De certeza que não se arrependem!

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Arequipa, la Ciudad Blanca

Saímos do Porto às 20:20 de segunda-feira. Primeira paragem: Madrid. Este aeroporto faz-me lembrar corridas… Próxima paragem: Lima. Aproveitamos a viagem transatlântica para pôr o sono em dia. Destino final: Arequipa. Aterramos eram 10:30.

Ainda do aeroporto avisto o El Misti. Um cone vulcânico com um pouco mais de 6800 metros de altitude. Trata-se de um trekking peak sem grande dificuldade técnica mas cujo perfil faz lembrar o Monte Fuji. Se houvesse mais tempo…

Apanhamos um táxi para nos levar ao hotel. Aproveito para meter conversa. Os taxistas são sempre óptimos barómetros sociais. Para ele, as coisas no Peru vão bem. Podiam estar melhores mas vão bem. Há trabalho, estabilidade e construção. Em Arequipa acabaram-se de se construir três moles (moles em peruano quer dizer mall em inglês).

Passamos no hotel para deixarmos as mochilas e seguimos em direcção ao centro histórico. Uma brisa temperada varre-nos a cara. A luz da cidade invade-me o cérebro e põe-me logo a espilrar.

Para almoçar seguimos a selecção da nossa agência de viagens -Lonely Planet – e vamos ao Chichas. Gostei!

Os cocktails bebidos ao almoço começam a fazer efeito. O sono apodera-se do meu ser… Coca, para quê…

Temos de nos pôr a andar! Vagueamos pelo centro histórico por entre mansōes coloniais e restaurantes top. Arequipa é uma cidade calma e bastante simpática. As recordações da viagem à Índia colocaram a fasquia do caos bem lá para cima.

Ao final da tarde fomos visitar a Juanita. A pequena Inca de doze anos de idade de idade que, na realidade, já passou dos quinhentos graças ao congelamento do seu corpo. De facto (continuo a não gostar do de fato) está bem conservada.

O sol já se tinha posto quando fomos visitar o Monasterio de Santa Catalina. Tivemos sorte porque era o dia em que o monumento iria permanecer aberto até mais tarde. Este complexo encerra uma cidadela dentro da própria cidade. Deixamo-nos perder deliberdamente no seu interior, iluminados apenas por candeias e velas, de claustro em claustro, tentando recriar o ambiente aqui vivido em tempos idos. As cores das pinturas das paredes são fantásticas. Branco cal, vermelho terra e azul cobalto.

Da visita a Arequipa, Património da Humanidade, fico com a ideia de um grande cuidado na preservação do património embora tenha algumas dúvidas na salvaguarda das questões relacionadas com a autenticidade. Por outro lado, sinto que existe um grande orgulho pela forma de construir e pelos materiais utilizados nas construções mais antigas. A adjectivação branca refere-se não à pintura dos paramentos das construções mas sim à utilização de uma pedra volcânica de cor clara -sillar- nas alvenarias. O recurso à construção com arcos e abóbadas constitui também um importante marco do ponto de vista da tecnologia da construção. A ponte metálica construída sobre o Rio Chili também é um ponto de passagem obrigatório nos tours de Arequipa. Para quem conhece o Porto e as suas pontes não necessita de por lá passar…

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Amanhã seguimos para o Canón del Colca. Vamos para o reino dos condores!