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Titikaka

Resolvemos não pôr o despertador a acordar-nos. Acordei eram 06h30! O sol já nos iluminava o quarto com vista para o lago Titikaka. O plano para hoje era simples: tomar o pequeno almoço, comprar a viagem de Puno para Cuzco, visitar as ilhas flutuantes de Uros, almoçar em Puno, visitar o templo de fertilidade em Chucuito e passar o final da tarde a ler (Vanessa) e a correr (eu).

Conforme recomendado pela Lonely Planet planeamos fazer a viagem para Cuzco no InkaExpress que é um autocarro turístico que faz algumas paragens ao longo do percurso para visitar locais históricos ou, mais frequentemente, para nos tentarem vender mais alguma quinquilharia andina.

Agotado. E agora? A alternativa é viajar numa outra companhia que segundo nos dizem presta o mesmo serviço que o InkaExpress. Assim seja.

Seguimos em direcção ao porto de Puno onde apanhamos o barco que faz a ligação até às ilhas flutuantes de Uros. O aglomerado de pequenas ilhas artificiais tem bastante piada e o cenário remete-nos para um imaginário de uma civilização perdida no meio de um imenso lençol de água. Porém, tudo aquilo é na realidade uma grande encenação para turista ver e, se possível, deixar lá uns quantos nuevos soles. Será legítima esta recriação? Se pensarmos bem a diferença entre andar a passear numa destas embarcações feitas de palha e subir o Douro num rabelo a motor não é assim tanta…

Fizemos bem em ter ido apenas visitar um dos conjuntos de ilhas. Se tivéssemos seguido um tour turístico ía-mos ficar fartos de ver tanta palha num dia só.

Em Puno seguimos a sugestão do Lonely Planet e fomos almoçar ao Colors. Não foi nada de especial… Tanto que resolvemos ir tomar café a um outro sítio que, descobrimos depois, era o nr one do tripadvisor em Puno.

Puno não é uma cidade bonita. Segundo a Vanessa Puno x 3 = Cidade indiana.

Demos um passeio pelo centro e foi qb.

De regresso ao hotel fomos tratar da reserva da viagem de comboio Cuzco / Águas Calientes / Cuzco. Tava difícil! Não conseguíamos fazer a reserva on-line porque dava um erro no pagamento com VISA. Fiz a reserva por telefone. Acho eu!

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Sinto-me asmático

Final de tarde. As nuvens reflectem os últimos raios de sol. O vento sopra e sente-se o gelar das mãos. Tenho de ir correr. Se não o fizer sei que irei penar daqui a uns dias no K42. As dores de cabeça já me passaram e sinto-me como se estivesse a sair de casa.

O único sítio onde posso correr é ao longo da Panamericana Sur, estrada que liga o Perú à Bolívia. Esta estrada bordeja o Lago Titikaka. O Menezes bem que podia vir aqui fazer um workshop sobre passadiços e arranjos urbanísticos.

Começo a correr. Ao fim de 500 m a passo de caracol já estou a bufar. Sigo na direcção de Puno. A estrada é plana. Estou a cerca de 3900 m de altitude. Sinto o vento frio nas mãos. Tento acelerar o ritmo para aquecer. Ao final do primeiro km sinto-me melhor que na última corrida.

Para além da carência de O2 tenho o incremento de CO e de CO2. Sinto-me a correr na Nacional 1. Os faróis dos camiões fazem-me perder a visibilidade por breves instantes.

Quase a chegar ao km 3 aparecem-me uns cães. No stress. Pelo tamanho não impõem grande respeito. Isto até ao momento em que vejo um cão a ladrar a vir disparado na minha direcção. Tou f*****! Continuo a correr sempre a olhar para trás com o olhar fixo nos dentes arreganhados e na baba pendurada no focinho da besta. Tou f*****!

Virei-me ao animal aos berros e com os braços no ar. Ficamos a olhar um para o outro a medir forças. Ganhei! Mal nos distanciamos uns 10 m peguei logo em duas pedras pelo sim, pelo não.

Voltei para trás. Não me apetecia ter muitos mais destes encontros com a vida animal.

Quase a chegar ao ponto de partida dou por mim no seguinte estado: dores musculares, nada; cansaço físico, nada; correr, nada! Sinto-me impotente. As pernas não andam mais rápido. Pareço um asmático.

Decido então fazer umas rampas curtas mesmo em frente do hotel. Fiz uma! Desisto.

Estas corridas têm servido para elevar a minha consideração pelos praticantes de alta montanha.

É brutal!

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